Homenageado no dia 13 de maio, o profissional especialista em zootecnia assume um papel fundamental na produção do futuro. Unindo conhecimentos das ciências zootécnicas, veterinárias, da computação e engenharia mecatrônica/elétrica, a zootecnia de precisão tem por objetivo criar sistemas automatizados que permitam o contínuo monitoramento e controle em tempo real da produção, reprodução, saúde e bem-estar animal nos diferentes pontos da cadeia produtiva. Segundo o zootecnista e Pós Doutorando da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Embrapa Cenargen – Labex, Brasília/DF), João Batista Gonçalves Costa Junior, na prática, a aplicação desse sistema permite que o produtor rural consiga obter dados em menores intervalos de tempo, permitindo tomada de decisão mais rápida no sistema de produção.

O produtor, que notou a impossibilidade de se realizar a produção animal como há 20 anos, já aposta nesta área. É possível que o zootecnista ou o produtor rural visualizem informações do processo produtivo que normalmente eram difíceis de serem constatadas com tanta rapidez. Costa Junior cita a possibilidade de monitoramento diário do ganho de peso dos animais, sejam eles, suínos, aves ou bovinos, que antes não era realizado com frequência devido aos transtornos causados pelo manejo a cada pesagem. “Ao conseguir realizar essa prática de forma automatizada, o zootecnista consegue observar possíveis variações de peso dos animais e, assim, realizar ajustes mais eficientes nas dietas para aquela determinada categoria, diminuindo os desperdícios de ração ou perda de peso dos animais”, explica o especialista.

Na vanguarda, a suinocultura e a avicultura já vislumbraram a necessidade de adoção da zootecnia de precisão há 15 anos, mas a bovinocultura de corte, ovinocultura e caprinocultura são as que caminham de forma mais lenta na adoção destas tecnologias. O bom desempenho da zootecnia de precisão é garantido pela capacitação da mão de obra, coletas de dados, interpretação destes dados e a correta escolha das tecnologias para cada sistema de produção.

A primeira etapa para implantar essa ferramenta é identificar corretamente os animais. “O produtor rural precisa ter em mente que a coleta de dados no sistema de produção é extremamente importante. São estas informações que irão mostrar o que está ocorrendo dentro do sistema”, conta Costa Junior. Essa ação poderá evitar perdas de lucratividade do sistema de produção, já que esse estará em constante monitoramento. O caminho deve ser seguido aos poucos, começando pelas tecnologias mais simples e, de acordo com as melhorias dos processos produtivos, incrementar os sistemas com inovações tecnológicas mais eficientes para atender aquela nova realidade produtiva.

Na área de avicultura e suinocultura o especialista salienta a utilização de dispositivos eletrônicos que coletam as imagens e sons dos animais dentro dos galpões, buscando detectar pequenas variações destas variáveis com o objetivo de predizer perdas de peso, doenças ou estresse dos animais. Na área de produção de ruminantes, os dispositivos eletrônicos que monitoram a temperatura corporal possuem o intuito de predizer o cio, parto ou doenças. “Além disso, podemos elencar a termografia que é a coleta da temperatura dos animais através de imagens. Estas tecnologias vêm sendo aplicadas para a produção, reprodução e nutrição animal”, conta.

No entanto, o principal desafio para a introdução deste conceito ainda é mudar a mentalidade do pecuarista. “Ele deve entender que sua fazenda é uma grande empresa e que melhorias devem ser feitas continuamente. É muito importante ressaltar que o acompanhamento de um Zootecnista pode facilitar muito para que o produtor possa atingir os resultados almejados”, ressalta Costa Junior.

A presença de um especialista em zootécnica é fundamental, já que ele possui o conhecimento necessário para auxiliar e direcionar o produtor rural a escolher a tecnologia que melhor se adequará a necessidade e realidade de produção. “Alguns cursos são voltados aos profissionais e produtores que buscam conhecer melhor esta nova área da produção animal. A Faculdade Associadas de Uberaba (FAZU, Uberaba/MG) irá promover um curso de extensão de 12 horas sobre a Zootecnia de Precisão e, além disso, no próximo semestre, serão ministrados cursos em diferentes regiões do País”, aconselha.

Completando 50 anos no Brasil, a zootecnia encontra neste sistema uma das mais importantes áreas a atingir produções mais eficientes. “A cadeia produtiva não admite mais amadorismo. Inserir estas tecnologias nos processos produtivos é uma necessidade e uma vantagem competitiva para o produtor rural”, finaliza o profissional.

Fonte feed&food