Discussões sobre a relação entre a Saúde Única e o Bem-Estar Único introduziram o VIII Fórum das Comissões Nacional e Regionais de Saúde Pública Veterinária do Sistema CFMV/CRMVs, que teve início nesta terça-feira (19), na sede do CFMV, em Brasília (DF). O evento busca o fortalecimento da atuação do médico veterinário na saúde pública e a construção de uma única voz entre as comissões. “Essa oportunidade de encontros anuais contribui para a replicação dos conhecimentos e para elaboração de estratégias adequadas à realidade de cada estado”, afirmou a presidente da Comissão Nacional, Sthenia Amora, durante a abertura do evento.

Da esquerda para a direita, Geraldo Edson Rosa (CNSPV/CFMV); Sthenia Amora (CNSPV/CFMV); Marcello Roza (secretário-geral do CFMV); Adriana Vieira (CNSPV/CFMV); e Júlia Brazuna (CNSPV/CFMV). Foto: Ascom/CFMV

O secretário-geral do CFMV, Marcello Roza, também presente na abertura, destacou que o fórum é uma oportunidade de mostrar a pluralidade de áreas da profissão. “Muitas vezes os profissionais não se dão conta do papel que têm nas ações de saúde pública e em prol da Saúde Única”.

Saúde e Bem-estar

A integrante da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV) do CFMV, Adriana Vieira, comemorou a evolução dos debates sobre Saúde Única nos últimos anos, mas introduziu alguns questionamentos sobre o tema: “Sabemos o que é Saúde Única e o que fazer para garanti-la? Queremos de isso de fato e estamos dispostos a empreender as mudanças necessárias para tanto”?

A importância da Saúde Única, que abrange a saúde humana, animal e ambiental, leva em conta o dado da Organização Mundial da Saúde Animal que revela que das 1461 doenças reconhecidas em seres humanos, cerca de 60% são zoonoses, ou seja, transmitidas de animais para seres humanos.

Vieira destacou três prioridades ligadas ao tema que têm sido trabalhadas desde 2011 no Brasil: o combate à raiva, à influenza e a resistência antimicrobiana.

Adriana Vieira (CNSPV/CFMV). Foto: Ascom/CFMV

“Muitos acham que a raiva nem existe mais e nem mesmo vacinam seus animais, mas este ano houve casos em humanos no Brasil e há uma média de 591 mil atendimentos por ano em animais. No entanto, pouco ainda se fala sobre a prevenção dos agravos”, afirmou.

A integrante da CNSPV destacou ainda temas ligados à Saúde Única e que merecem atenção, como a questão dos resíduos, incluindo a destinação de cadáveres de animais, o uso de antimicrobianos e o uso de antineoplásicos sem controle.

A relação indissociável entre Saúde Única e bem-estar animal também foi ressaltada durante as palestras. “Muitos consideram a saúde animal separada do bem-estar, mas ambas dependem uma da outra”, pontuou Vieira.

Sobre o tema, a presidente da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do CFMV, Ingrid Atayde, ressaltou que a defesa do bem-estar animal passa necessariamente pela luta contra a pobreza humana. “Quem tem recursos para comprar uma carne que foi produzida seguindo os princípios do bem-estar animal ou se comprometer com a causa do bem-estar?”, questionou.

Ingrid Atayde (Cebea/CFMV). Foto: Ascom/CFMV

Atayde defendeu ainda, em sua fala, a necessidade de uma comunicação mais efetiva entre médicos veterinários, com a aplicação das competências humanísticas em sua atuação profissional. “A comunicação é a chave para aproximar os colegas e mostrar o que podemos fazer e como deve ser feito. Não podemos nos manter apenas no campo técnico”.

A presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente do CFMV, Maria Izabel de Medeiros, levou aos debates do VIII Fórum o viés ambiental. “Um animal abatido sem bem-estar prejudica muito o ambiente em relação ao animal abatido no tempo certo e da forma correta”, exemplificou.

Maria Izabel de Medeiros (CNMA/CFMV). Foto: Ascom/CFMV

Ela falou também a importância do destino ambientalmente correto de resíduos e dos próprios animais e os impactos sanitários quando isso não ocorre, como a proliferação de vetores, de microorganismos patogênicos e de agentes químicos.

Medeiros ressaltou ainda que a Saúde Única está presente em diversos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas.

Ações nos estados 

No primeiro dia do evento, a presidente da CNSPV/CFMV apresentou também as propostas definidas no Plano de Ação do último fórum, realizado em outubro de 2016, para redefinição das estratégias considerando a Saúde Única e o Bem-estar Único.

Amora ressaltou que uma das bandeiras assumidas nessa gestão é a defesa de que os estabelecimentos médico-veterinários sejam reconhecidos como estabelecimentos de saúde.

Os representantes das comissões regionais de saúde pública também deram início às apresentações realizadas nos respectivos estados desde o último fórum.

Confira aqui a galeria de fotos no site e no Facebook do CFMV. 

Leia mais: CFMV defende reconhecimento dos estabelecimentos médicos veterinários como estabelecimentos de saúde

Fonte CFMV (acesso em 21/09/17) 22