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Sistema CFMV/CRMVs realiza I Encontro Nacional sobre Desastres em Massa Envolvendo Animais

O presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti de Almeida, abriu o encontro por mensagem de vídeo desejando diálogo e contribuições efetivas. “A participação de vocês é muito importante. Questionem, dialoguem, participem efetivamente. Estamos presentes”, incentivou.

Falando da sede, em Brasília, a vice-presidente do CFMV, Ana Elisa Almeida, também participou da abertura desejando que seja o primeiro de uma série de encontros para aprofundar a reflexão de como gerar resultados significativos à sociedade e, dentro das possibilidades, evitar surpresas em próximos incidentes. “Recentemente, vivemos momentos de grande aflição e a Medicina Veterinária e Zootecnia mostraram a relevância na participação imediata no resgate, cuidado e direcionamento dos animais vítimas de desastres”, assinalou.

Como coordenadora do encontro, a médica-veterinária Laiza Bonela, presidente da CNDM, destacou que o evento foi idealizado, ainda em 2019, pelo grupo de trabalho destacado para produzir o Plano Nacional de Contingência de Desastres em Massa Envolvendo Animais (PNCDMEA).

“Que seja o primeiro de muitos para estreitar o diálogo e os debates técnicos sobre um tema tão complexo e desafiador, multiprofissional e multidisciplinar, que requer profissionalismo em nossa atuação, credibilidade nos produtos que preparamos, confiança em nossa capacidade técnica por parte dos órgãos de atuação em situações de desastres”, enfatizou. Para Laiza, o encontro é um divisor de águas para a atuação de médicos-veterinários e zootecnistas nos cenários de desastres que envolvem animais.

Histórico

Para falar sobre o histórico dos acidentes envolvendo resgate técnico de animais no país, foi convidada a médica-veterinária e bióloga Paula Helena Santa Rita, integrante da CNDM e presidente das comissões estaduais de Animais Silvestres (CEAS) e de Resgate Técnico Animal e Medicina Veterinária de Desastres do CRMV-MS.

Paula destacou diferentes desastres ocorridos nas cinco regiões, de 2000 a 2021, incluindo as grandes catástrofes causadas por chuvas intensas, queimadas, rompimentos de barragens, vazamento de óleo, incêndios, inundação, enchente e seca, e o resgate técnico animal ainda fica muito a desejar. “O objetivo da comissão é trabalhar em conjunto com os regionais para pdronizar protocolos em todo o território nacional para as diferentes situações e, além do atendimento imediato dos animais vítimas de desastres, já percebemos a necessidade de trabalhar também as medidas após os acidentes”.

Plano Nacional

A presidente da comissão apresentou o Plano Nacional de Contingência aos regionais, narrando, inclusive, o contexto em que surgiu o documento, logo após o rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho (MG). Na época, ficou clara a necessidade de estruturar um documento para orientar a atuação em campo de médicos-veterinários e zootecnistas dispostos a resgatar animais em cenários de desastres em massa.

“A partir do desconforto é que vem uma grande mudança”, lembrou Laiza. Com esse sentimento foi construído o Plano Nacional de Contingência para abordar, de forma ampla e multiprofissional, a gestão de possíveis crises, visando adiantar adaptações para dar respostas oportunas, efetivas e adequadas às necessidades das localidades afetadas.

“O ideal é que as emergências não acontecessem e o plano pudesse ficar na gaveta. Infelizmente, não é assim, mesmo com toda a prevenção, alguns eventos vão acontecer. O importante é que, ao sair do papel, o plano seja exequível, aplicável, prevendo o máximo de cenários possíveis no intuito de oferecer diretrizes e direcionamento à atuação dos profissionais envolvidos inseridos nesse contexto”, disse a presidente da CNDM.

Laiza enfatizou que o plano é o início de um trabalho, uma base norteadora que requer constante atualização e aperfeiçoamento. Para isso, incentivou a criação de frentes de trabalho nos regionais, reunindo profissionais com perfis heterogêneos. “Deixo aqui o estímulo para que cada CRMV tenha sua comissão de desastres ou um grupo técnico para que possamos formar uma rede de enfrentamento nos estados, a fim de atender as emergências e, especialmente, prevenir e mitigar novas ocorrências”, reforçou o convite.

Incidentes

Pela formação no Corpo de Bombeiros, o médico-veterinário Cláudio Zago, integrante da CNDM, abordou a estrutura e a função do Sistema de Comando de Incidentes (SCI). O objetivo desse comando unificado é padronizar o gerenciamento perante uma emergência, adotando uma estrutura organizacional integrada para atender a complexidade de uma demanda. Para isso, cria-se um comando, com operações, planejamento, logística, finanças e administração, admitindo-se flexibilidade para aumentar ou diminuir as ações conforme a necessidade.

“O foco é a segurança dos envolvidos que estão nos incidentes e dos que estão nas ações de resgates, cumprindo objetivos táticos e técnicos, estabelecendo estratégias para o uso dos recursos financeiros e humanos, com diretrizes de formação para os grupos operacionais”, explicou.

Encerramento

“Os desastres vão acontecer sempre e agora cada regional tem o desafio de criar sua própria comissão”, disse a médica-veterinária Erivânia Camelo, chefe de gabinete da Presidência do CFMV, ao final do encontro, reafirmando o compromisso do Federal com a rede de enfrentamento de desastres.

Sensibilizada pela vibração e experiência da CNDM, a vice-presidente do CFMV encerrou o encontro reiterando a relevância dos conhecimentos da Medicina Veterinária e da Zootecnia para enfrentar e dar respostas rápidas em emergências. “Era bom que os incidentes não ocorressem, mas como essa não é realidade”, afirmou.

Ana Elisa incentivou que seja estreitado ainda mais o diálogo com os órgãos de segurança envolvidos, mostrando a importância dessas cooperações, de modo que essas coordenações delineadas nos estados fortaleçam a Medicina Veterinária e a Zootecnia engajadas nessas situações. “Estamos num patamar mais avançado, já temos um plano e não estamos partindo do zero. Contem com o apoio do CFMV para estruturar, capacitar e fortalecer as comissões estaduais”, concluiu.

Assessoria de Comunicação do CFMV

2021-05-12T16:36:52-03:0012/05/2021|Notícias|