Setembro Amarelo: um mês de ação em prol da vida

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Setembro Amarelo: um mês de ação em prol da vida

Desde 2015, o mês de setembro marca, no Brasil, uma série de ações voltadas à manutenção e melhora da saúde mental dos cidadãos, especialmente as voltadas à prevenção ao suicídio. Trata-se do Setembro Amarelo, criado numa iniciativa conjunta do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

A inspiração vem da data de 10 de setembro, instituída pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) e a Federação Mundial para Saúde Mental (WFMH) como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. De acordo com relatório da OMS, divulgado em 2018, cerca de 800 mil pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos morrem por suicídio no mundo.

A cor amarela foi escolhida como símbolo da prevenção do suicídio, em 1994, em homenagem ao adolescente americano Mike Emme, de 17 anos. O jovem cometeu suicídio enquanto dirigia seu carro, um Mustang, que havia pintado de amarelo. Amigos e familiares disseram nunca ter percebido sinais de angústia em Mike. Como forma de homenagem e conscientização, seus amigos fizeram uma cesta com 500 cartões enfeitados com fitas amarelas que traziam a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”.

Setembro tornou-se, então, o mês de conscientização da população e dos profissionais de saúde da prevenção de suicídios e da promoção de práticas que viabilizem melhor saúde mental. O CVV estabeleceu no Brasil a cor amarela representando a vida, a luz e o sol, simbolizando a proposta da campanha.

Saúde mental na Medicina Veterinária

Para médicos-veterinários, saúde mental é assunto sério. A Revista CFMV abordou a questão na edição 80. Um dos estudos citados na entrevista com o médico-veterinário Rodrigo Rabello, por exemplo, indica que, de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), essa é a classe profissional com maior risco de suicídio no Brasil (os dados do Datasus – portal de dados do SUS – de 1980 a 2007, indicam que a taxa de suicídio de médicos-veterinários é de 10,6 para um frente a população gera).

As causas apontadas para esse fenômeno são, principalmente, a síndrome de burnout e a fadiga por compaixão. A primeira compreende o esgotamento emocional crônico por sobrecarga de trabalho; já a fadiga por compaixão é a exaustão emocional de trabalho em prol do outro.

A prevenção do suicídio e melhora da saúde mental devem ser constantes e é preciso conversar sobre o assunto. Para isso, o Conselho Regional do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) desenvolveu o blog Sobre(o)viver, que funciona como um repositório de “links, bibliografia de apoio e artigos de especialistas com orientações sobre como viver e sobreviver nestes tempos desafiadores, reunindo eficazes ferramentas que ajudem a manter o equilíbrio entre a vida pessoal e o sucesso profissional”.

Andréa Marinho, médica-veterinária coordenadora do projeto, conta que tudo começou em 2018. “Em um evento de três dias, o ‘Projeto Sobre(o)Viver’ contou com psiquiatras, psicólogos e outros especialistas que disponibilizaram ferramentas de apoio à saúde mental dos estudantes e graduados”, explica.

Atualmente, o tema segue no blog. “Por entender que o tema é inesgotável, hoje contamos com o blog, semanalmente atualizado, e o compromisso de darmos seguimento a uma agenda de eventos que priorize equilíbrio emocional aos médicos-veterinários de todos os estados”

Também publicado na edição 80 da Revista do CFMV, o artigo científico Estresse Ocupacional e a Medicina Veterinária (das médicas-veterinárias Jéssica de Oliveira, Izabela Rocha, Tatiana Castro, Maristela Palhares e Renata Maranhão, de Minas Gerais) aponta outras fontes de estresse: longas horas de trabalho, relacionamento com colegas e clientes, falta de recursos e de reconhecimento da profissão, alta complexidade do trabalho, sofrimento, tristeza ou insensibilidade dos proprietários, sensação de impotência por não poder tratar o paciente, assim como o equilíbrio entre trabalho e vida privada.

O estigma e tabu ainda rodeiam o tema saúde mental. Portanto, além de conversar sobre, é preciso estar atento aos sinais. O Conselho Federal de Medicina (CFM) aconselha: se você suspeita que alguém próximo pensa em cometer suicídio, tente se aproximar e:

– Pergunte se o pensamento existe e em que nível; ee já houve planejamento e como;
– Procure ouvi-lo atentamente;
– Tente compreender os sentimentos dessa pessoa;
– Expresse respeito pelas opiniões e pelos valores dela;
– Converse abertamente;
– Demonstre sua preocupação, seu cuidado e sua afeição para com ela;
– Procure conversar com a família, amigos ou rede de apoio dessa pessoa;
– Caso a pessoa tenha acesso a métodos suicidas, como armas e remédios, remova-os imediatamente.
– Oriente e ajude a buscar ajuda na rede de saúde mental de sua comunidade e/ou outros equipamentos e órgãos; CAPS, posto de saúde, clínica-escola, CVV, ONGs etc.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias. Ligue 188.

Para saber mais sobre o assunto:

Site oficial do Setembro Amarelo
Do Centro de Valorização da Vida
E a cartilha completa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do CFM Comportamento Suicida: Conhecer para Prevenir
Blog Sobre(o)viver do CRMV-RJ 

Fonte CFMV

2019-09-06T12:47:27+00:00 05/09/2019|Notícias|