Teve início nesta semana a primeira etapa da campanha anual de vacinação contra a febre aftosa em 22 estados e no Distrito Federal. A meta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é imunizar 198 milhões de bovinos e bubalinos durante todo o mês de maio. O número representa mais de 90% do rebanho do país, de 217,5 milhões de cabeças.

A vacinação nacional teve início oficialmente em 15 de março, em 41 municípios que compõem a margem do Rio Amazonas e no Pará, nos municípios de Faro e Terra Santa. A partir de maio, devem vacinar o rebanho os criadores do Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

No Amazonas, a vacinação será feita em Guajará e Boca do Acre, partes dos municípios de Canutama e Lábrea. No Pará, serão todos os municípios, exceto Faro, Terra Santa e arquipélago de Marajó. Em Rondônia, que começou a imunização em 15 de abril, a campanha vai até 15 de maio.

Todos os animais deverão ser vacinados, exceto os dos rebanhos do Acre, Espírito Santo, Paraná e São Paulo, que nesta etapa vão imunizar apenas animais com de até 24 meses. O calendário de vacinação pode ser acessado no site do Mapa.

No ano passado, quase 150 milhões de bovinos e bubalinos foram vacinados, cobrindo 98,34% de todos os animais envolvidos na campanha.

Programa Nacional

Segundo o diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, Guilherme Marques, os pecuaristas deverão buscar a maior cobertura vacinal possível para que o Brasil cumpra todas as ações previstas no Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA). “A retirada gradual da vacina vai começar somente a partir de 2019. Até lá, todo o cronograma segue inalterado”, ressalta Marques.

O PNEFA tem como estratégia principal a implantação progressiva e manutenção de zonas livres da doença, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A execução do PNEFA é compartilhada entre os diferentes níveis de hierarquia do serviço veterinário oficial com participação do setor privado. Os governos estaduais, representados pelas secretarias estaduais de agricultura e instituições vinculadas, responsabilizam-se pela execução do PNEFA no âmbito estadual.

Sobre a doença

São afetados pela febre aftosa os bovinos, búfalos, caprinos, ovinos, suínos e animais silvestres que possuem casco fendido (duas unhas). O vírus está presente na saliva, no líquido das aftas, no leite e nas fezes dos animais doentes. Qualquer objeto ou pessoa que tenha contato com essas fontes de infecção se torna um meio de transmissão para outros rebanhos.

A doença pode ser fatal em animais jovens. Os animais afetados não conseguem se alimentar e enfraquecem muito, com perda severa de produção de leite e carne. O principal efeito da doença é comercial. Devido ao seu alto poder de difusão, os países estabelecem barreiras comerciais às regiões onde ocorre a doença.

A vacinação é fundamental na erradicação e prevenção da aftosa. Se confirmada a doença, a principal forma de controle é o isolamento e sacrifício de animais doentes, e eliminação de fontes de infecção. Qualquer pessoa que verifique os sintomas nos animais deve comunicar imediatamente ao serviço veterinário oficial. Um veterinário oficial fará inspeção dos animais e tomará as providências necessárias.

Recomendações

O Mapa lista uma série de cuidados que devem ser tomados pelos criadores para que o rebanho fique protegido contra a aftosa:

– Compre as vacinas somente em lojas registradas;

– Verifique se as vacinas estão na temperatura correta: entre 2° C e 8° C. Para transportá-las, use uma caixa térmica, coloque três partes de gelo para uma de vacina e lacre;

– Mantenha a vacina no gelo até o momento da aplicação. Escolha a hora mais fresca do dia e reúna o gado. Lembre-se: só vacine bovinos e búfalos;

– Durante a vacinação, mantenha a seringa e as vacinas na caixa térmica e use agulhas novas, adequadas e limpas. A higiene e a limpeza são fundamentais para uma boa vacinação;

– Agite o frasco antes de usar e aplique a dosagem certa em todos os animais: 5 ml;

– O lugar correto de aplicação é a tábua do pescoço, podendo ser no músculo ou embaixo da pele. Aplique com calma;

– Lembre de preencher a declaração de vacinação e entregá-la no serviço veterinário oficial do seu estado junto com a nota fiscal de compra das vacinas.

Fonte CFMV (matéria acessada em 03/05/17)