Apesar de a Medicina Veterinária ser uma profissão com mais de 80 áreas de atuação, a maioria dos estudantes ainda ingressa na graduação com o sonho de clinicar, especialmente para pequenos animais, como cães e gatos. Só durante o curso, os estudantes se dão conta da vastidão de campos de trabalho e, ali pelo meio do caminho, são fisgados por outras atividades. Foi o caso do médico-veterinário residente Luiz Augusto Santana Silva, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), que enveredou pela Anatomia Patológica.

“No segundo ano, tive a oportunidade de dar início à minha primeira iniciação científica com Patologia, orientada por um professor que admirava muito. Desde então, o gosto pela área só cresceu e, no quarto ano da graduação, decidi que era o que queria para a carreira”, conta o residente do programa, acreditado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Justamente por oferecer tantas possibilidades, o curso de Medicina Veterinária forma generalistas. Daí a necessidade de os egressos buscarem os programas de residência e de aprimoramento profissional. De acordo com Luiz Augusto, a rotina da USP proporciona um leque vasto de conhecimento da patologia veterinária, desde pequenos mamíferos até grandes animais, incluindo os selvagens. “Profissionalmente, essa disciplina cobra conhecimento geral sobre várias espécies, portanto, é de fundamental importância esse aprendizado durante a residência, principalmente, por meio dos exames de necropsia”, explica.

Por estar em meio acadêmico, ele destaca como o contato com os professores de diferentes especialidades contribui para a formação. “Podemos aproveitar para adquirir uma bagagem maior”, revela. O treinamento, segundo Luiz Augusto, compreende as principais análises exigidas na rotina de diagnóstico dos laboratórios. Focam no exame necroscópico, no diagnóstico anatomopatológico de biópsias cirúrgicas e na leitura de lâminas de citologia. “Com a residência, temos um aprendizado prévio que suporte a realização desses exames, quando trabalharmos ativamente nos laboratórios”, afirma.

Para ele, o programa de residência em Anatomia Patológica da USP capacita profissionalmente o aluno para encarar as adversidades do mercado de trabalho, sejam elas dificuldades técnicas ou exigências das relações profissionais. “Além desse ganho técnico e profissional, o médico-veterinário com treinamento em residência possui mais oportunidades ao buscar emprego. O título confere mais credibilidade perante o empregador acerca das qualidades profissionais do contratado”, assegura o residente.

A acreditação do CFMV, segundo Luiz Augusto, mostra que há um controle de qualidade e uma preocupação em fornecer boa formação, tanto por parte do CFMV quanto dos preceptores. Orgulhoso do programa, Luiz Augusto demonstra generosidade em querer compartilhar essa mesma qualidade com as próximas turmas. “Essa chancela desperta um espírito benéfico de lutar, cada vez mais, para manter esse padrão, perpetuando a qualidade para várias outras gerações de residentes”, deseja, com esperança.

Ele conclui sua capacitação em fevereiro de 2021 e considera que a residência pode abrir oportunidades no meio acadêmico. Talvez esse seja o caminho do jovem médico-veterinário. Além de trabalhar com diagnóstico de rotina, Luiz Augusto pretende entrar em um programa de mestrado e virar professor. “O laboratório se tornou a minha paixão, reafirmada durante esse período de residência. Mas tenho interesse em ministrar palestras e apresentações, me preparar para dar aulas, futuramente”, planeja.

Clínica e cirurgia

A residência em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais, na USP, foi a opção da médica-veterinária Nicole Bertolino Gomes. “Fui me descobrindo durante o curso. Quando comecei a disciplina de cirurgia de pequenos animais, foi amor à primeira vista”, revela. Já para Tauany Costa Silva Pereira, o despertar chegou dois anos e meio após a graduação. Foi quando resolveu cursar a residência em Clínica Médica de Pequenos Animais, na mesma universidade.

As residentes reconhecem que a pós-graduação permite o treinamento prático e contínuo de todo o conhecimento adquirido na graduação. “Sob a tutela de excelentes professores e profissionais, nos tornamos mais seguros e preparados para o exercício profissional”, conta Nicole. “Quando estiver trabalhando fora da universidade, terei base teórica e prática para atender com mais segurança”, acrescenta Tauany, que após a residência, pretende se especializar em Cardiologia Veterinária.

O programa de residência, para Nicole, é um treino prático da atuação do médico-veterinário na rotina de atendimento. “Temos a vantagem do treinamento assistido por ótimos profissionais, o que nos prepara melhor para o mercado de trabalho”. A residente de Clínica Médica acrescenta que o treinamento em serviço permite acompanhar e atender casos variados e de diferentes níveis de complexidade. “Além da carga horária teórica, é muito rico o processo de discussão de casos e as reuniões clínicas e setoriais”, diz Tauany.

A analogia também é válida para a Clínica e Cirurgia de Grandes Animais. A médica-veterinária residente Ângela Perrone Barbosa diz que a principal vantagem do programa de residência da USP é a possibilidade de treinamento em prática, permitindo um ambiente seguro de aprendizado, consolidando os conhecimentos adquiridos na graduação. “Ajuda a ter segurança e a confiar em nossos julgamentos e ações”, afirma.

A residente lembra que o hospital veterinário recebe diversos casos. Dos mais simples aos mais complexos, os atendimentos aumentam o conhecimento na prática sobre diversas afecções e procedimentos. “A residência é um divisor de águas, principalmente nas áreas de clínica e cirurgia. As práticas, sob supervisão de médicos-veterinários mais experientes, tornam o crescimento profissional sem igual, o que, sem dúvida, diferencia os profissionais no mercado de trabalho”, observa.

Apesar de ter afinidade com cavalos desde criança, Ângela entrou na graduação pensando em trabalhar com comportamento de cães. Mas, a partir do segundo ano, começou a se interessar pela área de equinos e, por isso, faz residência em grandes animais. Sobre o futuro, tem algumas opções em aberto. “Talvez um mestrado ou pós-graduação na área de fisioterapia e reabilitação ou um intership (estágio) fora do Brasil”, cogita.

Selo

No I Ciclo de Acreditação dos Programas de Residência e Aprimoramento em Medicina Veterinária do CFMV, concluído no início de maio, três programas de residência da FMVZ-USP receberam Selo Ouro: Clínica Médica de Pequenos Animais; Anatomia Patológica; e Clínica Médica e Cirúrgica de Grandes Animais/Equinos. O programa de Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais ficou com o Selo Prata.

O médico-veterinário Marco Giannoccaro da Silva, membro da Comissão Nacional de Residência em Medicina Veterinária (CNRMV/CFMV), diz ter admirado a infraestrutura dos programas da USP avaliados durante a visita in loco. “Fiquei impressionado, também, com a qualificação dos docentes, o empenho da coordenação-geral em proporcionar treinamento técnico de qualidade e dentro das recomendações do Ministério da Educação e, por fim, com a diversidade de casuística proporcionada ao residente”, revela.

Para as residentes, a acreditação do CFMV representa uma conquista para a universidade.

“Recompensa o trabalho de todos os profissionais envolvidos e nos estimula a continuar dando o nosso melhor”, diz Nicole. Ângela acrescenta: “Além de atestar a excelência do programa, contribui para um maior destaque profissional”.

Tauany vai além e afirma que a acreditação retrata a importância da residência no contexto atual da Medicina Veterinária. “O mercado de trabalho exige, cada vez mais, mão de obra qualificada e em constante processo de atualização e aperfeiçoamento”, conclui.

 Assessoria de Comunicação CFMV