16 de setembro de 2016

Em artigo publicado na edição de setembro da revista Cães & Cia, o presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Benedito Fortes de Arruda, fala sobre como o proprietário do animal de estimação pode colaborar com o médico veterinário no cuidado com a saúde do pet. Confira:

Você é o principal parceiro do seu veterinário

Já parou para pensar no quanto o médico veterinário depende de você na tarefa de proporcionar saúde e bem-estar ao seu pet?

Desde as primeiras vacinas até os últimos cuidados recebidos em vida pelo animal de estimação, dois personagens se destacam. Um deles, o mais ligado ao animal, é seu proprietário, a quem cabem os cuidados no dia a dia e a ligação afetiva tão importante para esses animais. O outro é o médico veterinário que, com sua relevante participação, orienta e age com foco na saúde e no bem-estar animal.

Neste mês de comemoração do dia do Médico veterinário, celebrado em 9 de setembro, trazemos aos leitores algumas reflexões sobre a importância da participação dos donos dos animais nessa parceria.

Prevenção

Sem a atuação cuidadosa de quem convive com ele, o animal ficaria relegado à própria sorte por não conseguir se queixar de dores nem marcar consulta ou tomar medicamentos. E a prevenção é essencial para a qualidade de vida do animal e seu proprietário. Passada a fase da vacinação do filhote, uma visita anual ao médico veterinário costuma ser suficiente para a atualização das medidas preventivas. As tarefas do responsável pelo animal, nesse caso, são as seguintes:

Agendamento de consulta para vacinação e checape – O objetivo da visita ao médico veterinário será a aplicação de vacinas e a checagem das condições gerais do animal. É de grande importância que a pessoa que vai conduzi-lo ao estabelecimento veterinário cultive uma convivência próxima com ele ou que, ao menos, esteja preparada para fornecer um relatório completo para o profissional sobre os cuidados que o animal recebe e como se comporta no dia a dia.

Levar para a consulta – Cabe ao proprietário fazer com que o animal chegue à consulta o mais tranquilo possível. Agendar o atendimento evita o estresse de ficar muito tempo na sala de espera. Levar o animal em caixa de transporte simplifica o deslocamento, e o uso de guia facilita o controle do animal fora da caixa. Para que ele permaneça calmo na sala de espera, um bom cuidado é colocá-lo no colo e fazer carinho. Ficar perto do animal durante a consulta favorece a tranquilidade dele, evitando aceleração cardíaca e mudanças hormonais por nervosismo, alterações que podem mascarar sinais procurados pelo médico veterinário. Vale ressaltar que o contato com outros animais na sala de espera não é indicado, principalmente para os filhotes que ainda não tomaram todas as vacinas.

As consultas anuais preventivas também fortalecem a relação entre o animal e o profissional de saúde. Ao mesmo tempo, um sólido prontuário do paciente vai sendo construído e o médico veterinário pode assumir um papel equivalente ao de médico de família, zelando pelo animal a longo prazo. Esse detalhe poderá ter reflexos muito positivos em atendimentos futuros.

Monitoramento

Ninguém melhor do que a pessoa acostumada com o animal no dia a dia, que passeia e interage com ele, para detectar alterações quando a saúde sofre ameaça.

Manter vigilância – É função do proprietário estar atento a eventuais mudanças comportamentais ou sinais clínicos. Uma apatia incomum, dificuldades para se alimentar, vômitos e mudanças nas fezes são algumas das dicas que podem indicar um problema mais grave.

Em caso de alerta

Se houver suspeita de que algo não vai bem com a saúde do animal, é importante que o proprietário tome providências imediatas. Deve-se ter em mente que o médico veterinário é o único capacitado para dar orientações sobre a criação do pet e a cuidar da saúde dele. Receitas caseiras, dicas de conhecidos ou medicamentos sem receita não são soluções para nenhum sinal clínico que o animal possa apresentar. Sinais clínicos que parecem semelhantes podem ter uma infinidade de origens, que só podem ser investigadas e tratadas por um profissional de Medicina Veterinária.

Relato dos sintomas – Cabe ao tutor do animal ir à consulta preparado para não esquecer de mencionar sintomas observados. É com base nessa conversa franca que o profissional vai realizar o exame clínico e pedir todos os testes complementares necessários para determinar o quadro de saúde do paciente.

Tratamento – Mais um papel de destaque para o tutor do animal é ministrar corretamente a medicação e os cuidados prescritos pelo médico veterinário. O profissional de saúde deverá ser avisado se o tratamento não estiver apresentando os resultados previstos, para que avalie o próximo passo a ser dado. Diferenças individuais entre pacientes podem produzir reações variadas a um mesmo tratamento.

Saúde Única

O trabalho realizado pela dupla proprietário e médico veterinário está intimamente associado ao conceito da saúde única. Existe uma estreita ligação entre a saúde humana e a saúde dos animais em conjunto com as condições ambientais. Ou seja, o que é bom para um, é bom para todos.

Por Benedito Fortes de Arruda, médico veterinário e presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Fonte Assessoria de Comunicação CFMV