Os pleitos brasileiros para reconhecimento do Paraná, do Rio Grande do Sul e do Bloco I (Acre, Rondônia e parte do Amazonas e do Mato Grosso) como zonas livres de febre aftosa sem vacinação passaram pela avaliação técnica da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e receberam parecer favorável. O parecer também reconheceu do Paraná como zona livre de peste suína clássica independente. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), em reunião com os governadores dos estados contemplados.

Em maio, esse parecer da OIE será avaliado durante a 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da organização. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reconhece os esforços dos médicos-veterinários, produtores rurais e demais integrantes da cadeia produtiva para essa conquista. Todos terão um papel fundamental na manutenção dessa nova condição sanitária, a partir da vigilância constante dos rebanhos.

Para o conselheiro efetivo do CFMV Júlio Cesar Rocha Peres, o reconhecimento é resultado do profissionalismo dos produtores e engajamento dos médicos-veterinários com o setor produtivo. Ele é presidente da Agência de Defesa Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) e médico-veterinário atuante no combate contra a febre aftosa. ”Empreendedorismo e a preocupação da produção com qualidade levaram o Brasil ao destaque como o maior produtor de proteína animal no mundo”, comemora Peres.

O conselheiro suplente do CFMV André Luiz Teixeira de Carvalho, servidor de carreira do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), celebra o ocorrido como resultado de muito trabalho e dedicação dos médicos-veterinários e profissionais do agro. “Em maio, aguardamos a ratificação do parecer da OIE. Isso facilitará a comercialização e exportação para os países que não aceitam carne bovina com vacinação, por exemplo, Japão e Coreia. Queremos isso para todos os estados, em nível nacional”, afirma.

Com a palavra, os estados

“O trabalho incansável da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos nesse processo elevam o status do estado e do Brasil no mercado internacional. Sem dúvida teremos um retorno muito positivo tanto no quesito da saúde e qualidade do produto, quanto na sua comercialização”, Rodrigo Mira, presidentes do CRMV-PR.

“Rondônia agora galga um espaço de reconhecimento internacional, que será chancelado. Um status em que o estado fez um trabalho brilhante, por meio dos técnicos da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron), dos produtores, profissionais que atuam no setor e todo segmento do agronegócio. Fazendo com que Rondônia alcançasse o status de livre sem vacinação de Febre Aftosa”, Licério Corrêa Soares Magalhães, presidente do CRMV-RO

“A atuação dos médicos veterinários é fundamental para a defesa agropecuária do Estado. Devido à competência e dedicação desses profissionais, o Rio Grande do Sul ganha em qualidade de produtos de origem animal, o que repercute também no desenvolvimento econômico, graças às rápidas notificações e à vigilância ativa das propriedades”, Lisandra Dornelles, presidente do CRMV-RS.

Entenda o processo

Em agosto de 2020, o Mapa publicou a Instrução Normativa nº 52, reconhecendo os seis estados como livres de febre aftosa sem vacinação. Para realizar a transição de status sanitário, estados e regiões atenderam a requisitos básicos, como aprimoramento dos serviços veterinários oficiais e implantação de programa estruturado para manter a condição de livre da doença, entre outros, alinhados com as diretrizes do Código Terrestre da OIE.

O processo de transição de zonas livres de febre aftosa com vacinação para livre sem vacinação está previsto no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa), conforme estabelecido pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). Atualmente, apenas Santa Catarina possui a certificação internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Febre Aftosa

A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa que acomete animais biungulados e é, provavelmente, a que mais causa impactos econômicos. Sua presença poder levar a restrições de participação nos mercados internacionais e aumento das despesas públicas e privadas com o controle sanitário.

Trata-se de uma enfermidade infecciosa aguda que causa febre, seguida pelo aparecimento de vesículas (aftas), principalmente na boca e nos pés de animais de casco fendido, como bovinos, ovinos, caprinos, porcos e todos ruminantes selvagens.

Assessoria de Comunicação do CFMV