Os custos envolvidos no atendimento veterinário foram tema de reportagem publicada pelo Jornal Correio, de Salvador (BA), no final de semana (17/10), intitulada “Paga ou morre? O que está por trás dos altos custos dos serviços veterinários”. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) observa que o título da matéria é uma desinformação à população e que não houve preocupação em explicar corretamente aos leitores sobre a abrangência da profissão, considerada fundamental para a saúde da população, dos animais e do meio ambiente.

O Conselho ressalta a preocupação dos médicos-veterinários com a boa formação, seguindo padrões éticos, comprometidos com a qualidade do atendimento e o estado clínico dos animais. Por isso, diverge da matéria, que apresenta os médicos-veterinários como profissionais mais preocupados com o faturamento do que com a saúde do paciente. Em todas as profissões, há quem possa atuar fora dos padrões éticos e é justamente para apurar eventuais desvios de conduta que foram criados os conselhos profissionais.

As despesas do atendimento clínico aos animais dependem de uma série de fatores, como a região do país, a especialidade e a gravidade do caso, além de serem calculadas considerando o tripé: carga tributária federal, estadual e municipal; qualificação técnica da equipe que trabalha na clínica; estrutura física do estabelecimento, equipamentos e insumos.

Ser responsável por um animal é uma tarefa que deve levar em consideração vários aspectos, dentre eles o financeiro. A falta de informação e a insuficiência de políticas públicas de assistência aos animais acabam transferindo aos médicos-veterinários um dever de Estado, sem que se reconheça o valor real desse serviço perante a sociedade.

Ao aplicar o conhecimento técnico adquirido ao longo da sua formação, é direito do médico-veterinário decidir sua forma de atuar e prescrever tratamento que considere mais indicado, bem como utilizar os recursos humanos e materiais que julgar necessários ao desempenho de suas atividades, analisando o que cada paciente exige, com o devido e completo diagnóstico, indispensável para a correta assistência clínica aos pacientes, conforme está no Código de Ética (Resolução CFMV no 1.138/2016).

Como todo profissional liberal e autônomo, o médico-veterinário tem o direito de definir a contraprestação pecuniária pelos serviços prestados. Nesse aspecto, recomenda-se aos profissionais e tutores que conversem com clareza e antecedência sobre os procedimentos que serão necessários e fechem um orçamento prévio, evitando surpresas.

Apesar da atuação diária e incansável de grande parte dos médicos-veterinários, o CFMV entende que, diante das exceções de erros e desvios profissionais, é direito e dever dos tutores dos animais realizar denúncia aos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária, que prontamente adotarão as medidas para apurar caso a caso sobre a eventual responsabilidade profissional.

Como se vê, o título da matéria publicada pelo Jornal Correio está totalmente desconectado com a realidade profissional do médico-veterinário.

CFMV