O Dia Mundial da Terra, 22 de abril, é uma oportunidade para a Medicina Veterinária e Zootecnia enfatizarem seus papéis de proteger a saúde do ecossistema e exigirem ações para minimizar as mudanças climáticas. Como parte da celebração da data, o CFMV reforça a importância da Saúde Única (humana, animal e ambiental) e divulga declaração da World Veterinary Association (WVA) “Emergência Global de Mudança Climática”.

Atualmente, a WVA é a mais importante plataforma de discussão e formulação de políticas que apoiem o trabalho dos médicos-veterinários em todo o mundo. Como integrante dessa organização internacional, o CFMV busca conexões que possam gerar benefícios e trazer inovação à profissão no Brasil, por meio de parcerias internacionais, oportunidades de bolsas de estudos no exterior, intercâmbios de informação e aprendizados em várias questões relacionadas à saúde e bem-estar animal, saúde pública e segurança alimentar.

Posição da WVA sobre a Emergência Global de Mudança Climática

Cenário

Em novembro de 2019, mais de 11 mil cientistas de todo o mundo publicaram um comentário dizendo que a saúde humana, animal e do ecossistema enfrentavam uma ameaça imediata e declarando a mudança climática como uma emergência global, apresentando um impacto complexo sobre a saúde e o bem-estar animal, com efeitos diretos e indiretos.

Os efeitos diretos são devidos, principalmente, às temperaturas alteradas, aumento dos níveis dos oceanos e aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos (por exemplo, furacões, ciclones, tufões, tornados, secas, inundações, tempestades com raios e quedas).

O estresse causado pela temperatura afeta as atividades fisiológicas dos animais e pode resultar em vulnerabilidade a doenças e diminuição da produtividade. Os efeitos indiretos da mudança climática na saúde e bem-estar animal incluem a mudança nos padrões de doenças transmitidas por vetores e migração da vida selvagem, bem como o aumento dos níveis de produção de microtoxinas na alimentação animal e cargas de doenças parasitárias nos animais.

O impacto da mudança climática na pecuária pode ser visto na redução das taxas de crescimento animal e produtividade em sistemas pastoris e na diminuição da segurança alimentar em terras secas e regiões montanhosas.

A Cúpula de Ação do Clima das Nações Unidas 2019 reforçou o conceito de que um aumento de 1,5 ℃ nas temperaturas globais, até o final do século 21, em comparação com as da era pré-industrial (1850-1900), é o limite seguro do aquecimento global. Além disso, para não exceder esse limite, o mundo precisa trabalhar para atingir as emissões globais líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

Embora a contribuição da pecuária para a mudança do clima global seja significativamente menor do que a de outras indústrias (por exemplo, transporte, construção e energia), a produção animal influencia as mudanças climáticas por meio da emissão de gases de efeito estufa, como metano, óxido nitroso e dióxido de carbono.

Mudanças em práticas específicas de produção animal podem fornecer oportunidades para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, bem como aumentar o sequestro de gases que o causam. É possível, ainda, promover a utilização das melhores práticas e critérios de sustentabilidade ambiental para a produção animal, que pode incluir sistemas de agricultura intensiva e de pequena escala, a qual oferece inúmeros benefícios para a saúde contínua de animais, humanos e ecossistemas.

Posicionamento da WVA:

Os médicos-veterinários, em seu papel de defensores da saúde e bem-estar animal e da saúde pública, têm a responsabilidade de proteger a saúde do ecossistema e exigir ações para reduzir as mudanças climáticas.

Globalmente, esses profissionais contribuem ativamente para a mitigação das mudanças climáticas e proteção ambiental de várias maneiras, incluindo, mas não se limitando, a realização de aconselhamento sobre o uso aceitável de recursos (ração, esterco e subprodutos animais) e o manuseio adequado de resíduos médicos.

Sendo assim, a WVA:

  1. Reconhece a mudança climática como uma emergência global e incentiva a pesquisa, a vigilância e a educação para aumentar o conhecimento e a compreensão das causas e impactos das mudanças climáticas na saúde animal, humana e do ecossistema.
  2. Apoia uma abordagem de saúde única para lidar com a mudança climática, exige coordenação e colaboração entre as partes interessadas para mitigar suas consequências prejudiciais à saúde animal, humana e do ecossistema.
  3. Incentiva os membros da profissão veterinária a pesquisar, revisar e adotar práticas que diminuam as emissões de gases de efeito estufa.
  4. Apoia a pesquisa contínua e a adoção de técnicas de produção animal e alimentar modernas, eficientes e sustentáveis ​​que irão melhorar a saúde e o bem-estar animal, reduzir os efeitos da mudança climática e melhorar a segurança alimentar em todo o mundo.
  5. Estimula suas associações-membros a construir e melhorar a capacidade veterinária em seu país e região para prevenir e lidar com as consequências associadas às mudanças climáticas, incluindo o tratamento de animais domésticos e vida selvagem afetados por eventos climáticos extremos, prevenção de doenças emergentes e reemergentes, além de possíveis alterações nos sistemas de produção animal, com prioridade no bem-estar animal e o menor impacto ambiental possível.
  6. Apoia o fortalecimento da vigilância agrícola e outras medidas mitigadoras na agricultura, com ênfase no papel da profissão veterinária na melhoria da saúde animal e pública.

Leia também:

Helio Blume é o novo representante do CFMV na WVA

Assessoria de Comunicação do CFMV, com informações da WVA