Foto: Arquivo pessoal Camila Bianconi

Camila Bianconi participou da pesquisa para o tratamento à Covid-19 autorizado para testes em humanos pela Anvisa

(Atualizado em 25/03/21, às 09h25)

Entre as principais motivações para a sua escolha pela Medicina Veterinária está a admiração pelos equídeos. Hoje ela figura entre as 26,2 mil profissionais do sexo feminino registradas em SP e ajuda escrever um importante capítulo da história da ciência. Estamos falando da médica-veterinária Camila Bianconi, que integra a equipe que desenvolveu o soro anti-covid no Instituto Butantan (IB).

Foram aproximadamente seis meses de trabalho com os cavalos do IB, que produziram anticorpos contra a doença. O soro foi testado em hamsters e, no dia 24 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a realização de testes em humanos. A autorização permite que o soro seja aplicado em pessoas contaminadas pela doença, visando amenizar os sintomas de pacientes com infecção recente e alto risco de desenvolvimento de quadros graves.

Os testes serão feitos em parceria com o Hospital do Rim e o Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP). Nesta etapa do processo serão estabelecidos os parâmetros necessários para o uso do soro, tais como dosagens, a fase da doença em que poderá ser administrado, bem como as especificações quanto a perfis de pacientes.

“Participei da fase do recebimento do antígeno, seleção dos animais, imunização dos cavalos e acompanhamento da resposta imune dos animais, que foram monitorados diariamente até que fossem feitas as coletas”, conta Camila, coordenadora de produção e responsável técnica do departamento de obtenção de plasma hiperimune do IB.

Sobre estar entre os profissionais envolvidos neste importante trabalho, em prol da saúde pública não apenas brasileira, mas mundial, Camila fala em gratidão com o mesmo olhar de amor pelos equinos que a fizeram começar sua jornada na Medicina Veterinária.

Incentivo desde a infância

Um dos principais incentivadores desta trajetória é o pai de Camila, que chorou ao saber da participação da filha no desenvolvimento do soro. “Ele nunca teve uma visão machista e sempre me incentivou a ir em busca do que eu queria. Foi assim a minha criação”, diz médica-veterinária.

Com este apoio e muita obstinação em se realizar profissionalmente que Camila se graduou, fez mestrado em imunidade de potros e se dedica ao doutorado em clínica e cirurgia. “É uma rotina agitada, em que fico por conta do trabalho durante a semana e, do doutorado aos finais de semana”, menciona ela, que se diz realizada com as escolhas de vida.

Orgulho de ser Butantan

Camila chegou ao IB há dois anos e demonstra uma grande satisfação por integrar o quadro de profissionais da fazenda do órgão, em São Roque (SP), onde estão cerca de mil cavalos.

“O instituto é um grande orgulho brasileiro e os cavalos de uma importância enorme para o desenvolvimento de soros disponíveis hoje para doenças como tétano, botulismo e raiva”, frisa Camila, que ainda enfatiza o destaque internacional dos recursos tecnológicos utilizados no IB, que contribuem também para maior bem-estar aos animais.

CRMV-SP