Os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançaram, oficialmente, o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil. A estratégia, elaborada em conjunto com diversas entidades, entre elas o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), foi aprovada com a Portaria Interministerial nº 232, publicada no Diário Oficial da União no último dia 8.

O javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica que provoca desequilíbrio ambiental e prejuízos a lavouras de pequeno e médio porte, além de ameaçar a saúde e a segurança de pessoas e animais (silvestres e domésticos). Sem predadores naturais no país, as populações do animal crescem de forma rápida. A União Internacional para Conservação da Natureza considera o javali uma das cem piores espécies invasoras no mundo.

A finalidade do Plano Javali é conter a expansão territorial e demográfica da espécie no país e reduzir seus impactos, principalmente em áreas prioritárias de interesse ambiental, social e econômico. O plano estabelece ações de controle do javali em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico.

“Esta é uma das iniciativas mais importantes, não somente para a biodiversidade, mas também devido às perdas econômicas e sociais que as espécies invasoras causam”, ressalta Valéria Natascha Teixeira, integrante da Comissão Nacional de Animais Selvagens (CNAS/CFMV). A médica veterinária aponta, ainda, que o controle de espécies invasoras é uma das metas que compõem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) do Brasil para 2020.


 Valéria Natascha Teixeira (CNAL/CFMV), em palestra sobre o controle dos javalis no II Forum das Comissoes Nacional e Regionais de Animais Selvagens​

Com a publicação da nova Portaria Interministerial, foram oficialmente aprovados os objetivos gerais e específicos do Plano Javali. Entre eles estão a revisão e elaboração de procedimentos para controle da espécie; o monitoramento de sua distribuição geográfica; a geração de conhecimento técnico-científico; e a sensibilização da sociedade para os riscos que a espécie representa.

Os objetivos, alerta Natascha, devem ser observados por todos os médicos veterinários e zootecnistas, principalmente os que atuam em propriedades rurais. “Os javalis são suscetíveis a algumas doenças importantes para a pecuária, como a febre aftosa, a raiva, a leptospirose, a brucelose, a tuberculose e muitas outras. Existem até relatos de produções de suínos onde há cruzamentos com javalis sem ação humana. Portanto, o trânsito dos javalis entre as propriedades rurais pode trazer risco para as fronteiras e a exportação”, descreve a médica veterinária.

Caberá ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Mapa a coordenação conjunta do Plano Javali. O grupo de assessoramento técnico que deverá monitorar as ações realizadas foi instituído pela Portaria n° 231.

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Histórico

Nos anos 1990, javalis foram trazidos da Europa e do Canadá para criadouros no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Alguns animais foram soltos propositadamente ou fugiram, e acabaram se alastrando. Atualmente, são encontrados em vida livre em 15 unidades da federação. Grupos de javalis também foram registrados em 25 unidades de conservação federais.

Em razão do aumento da crescente ameaça que passou a representar ao ecossistema, a espécie exótica foi considerada nociva no país e seu controle nacional passou a ser autorizado pelo Ibama em 2013.

Colaboração

O Plano Javali foi elaborado com a participação de representantes do MMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério da Saúde, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de órgãos estaduais de Meio Ambiente (SP, PR e DF) e de Agricultura (RS, GO e SC), do meio acadêmico, de associações de tiro e caça, do CFMV, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, do Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação (Tríade), da Confederação de Agricultura e Pecuária, da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina e do Exército.

Fonte CFMV