Uma parceria entre a Universidade de Marília (Unimar), o Hospital Beneficente Unimar (ABHU) e a empresa de portões PPA, da cidade de Garça, no estado de São Paulo, resultou na construção de um ventilador pulmonar de emergência. O modelo está em fase de aprovação pela Anvisa e foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais e docentes da Medicina e Medicina Veterinária, enfermeiros, engenheiros e residentes. O resultado desse trabalho integrado poderá vir a equipar Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do país e reforçar o tratamento dos doentes da covid-19.

          
Equipe de médicos-veterinários, docentes e residentes de Medicina Veterinária . Foto: Fabio Manhoso

O projeto foi realizado sob critérios rigorosos, em etapas. Uma delas foi o teste do equipamento em animais, que contou com o trabalho de médicos-veterinários das áreas de Anestesiologia, Cirurgia, Clínica de Grandes Animais e Patologia, além professores e residentes da Medicina Veterinária da Unimar. Os procedimentos seguiram as regras do Comitê de Ética para Uso Animal (Ceua). “Isso requer fases de indução, mensuração, controle do bem-estar do animal e exame patológico do tecido pulmonar, com o intuito de avaliar algum tipo de alteração advinda do uso do equipamento”, explica Fábio Manhoso, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Unimar e um dos profissionais envolvidos na missão. Manhoso é também presidente da Comissão Nacional de Residência em Medicina Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNRMV-CFMV).

A metodologia utilizada na construção do equipamento é denominada ‘Experimental Adaptativo’. “Trabalhamos em etapas, com modificações de melhorias a cada teste em cinco animais”, explica o médico intensivista Uri Adrian Prync Flato, do ABHU, também engajado no projeto. “Sem a contribuição dos profissionais da Medicina Veterinária não teríamos condições de construir este equipamento e salvar vidas. Sem dúvida, o trabalho do médico-veterinário tem impacto direto na sociedade. Foi um momento mágico de interação entre múltiplas áreas com o propósito de ajudar a população”, relata.

Para Manhoso, essa foi mais uma oportunidade de a Medicina Veterinária mostrar seu papel na saúde única (humana, animal e ambiental). “É nosso potencial como profissão da área de saúde. Com apoio da iniciativa privada e academia, levaremos à comunidade um equipamento seguro e de baixo custo. Fico muito orgulhoso de ver a minha profissão, professores e aprimorandos participando e trabalhando juntos, sempre pensando no bem-estar das pessoas”, opina.

De acordo com Flato, caso a Anvisa aprove o projeto, a empresa PPA tem capacidade de produzir mil equipamentos por dia, a um custo aproximado de R$ 3 mil. “Atualmente, um respirador custa em torno de R$ 60 mil e não há para comprar no mercado”, ressalta o médico.

O médico-veterinário Rodrigo Franco, professor da Unimar, também contribuiu na concepção do respirador com seus conhecimentos nas áreas de Clínica Médica Pequenos Animais e Anestesiologia. Ele considerou o resultado um sucesso. “Foi uma honra fazer parte de um grupo de docentes e profissionais que contribuíram para o avanço da saúde e salvar vidas. Isso mostra que nós, veterinários, podemos galgar outros degraus nas áreas científica e pesquisa”, destacou.

Manhoso destaca a importância da continuidade de trabalhos como este, no Brasil. “Essa experiência é muito admirável do ponto de vista acadêmico e de pesquisa, com interação entre Medicina, Medicina Veterinária, área privada e instituições de ensino. A reitoria da Unimar não mediu esforços. Essa parceria entre universidades e empresas privadas ocorre com frequência, nos Estados Unidos e Europa. Espero que sirva de exemplo ao nosso país”, assinala.

Segundo Márcio Mesquita Serva, reitor da Unimar, o desenvolvimento do projeto demonstra a responsabilidade e qualidade da instituição. “A Unimar e o ABHU receberam com imensa alegria a proposta de parceria para o desenvolvimento do ventilador pulmonar. Para nós, a tecnologia sempre deve estar a serviço dos seres humanos, sendo que saúde e educação devem ser prioridades”, afirma.

 Assessoria de Comunicação CFMV