O dia 14 de outubro marca o Dia Nacional da Pecuária, atividade que é uma das principais impulsionadoras da economia brasileira. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa 32 empresas responsáveis por 92% da carne negociada para os mercados internacionais, o Brasil produz dez milhões de toneladas de carne bovina. Desse total, 20,8% são negociados para dezenas de países em todo o mundo.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) parabeniza todos os que atuam na pecuária, que representa 8,5% do PIB do Brasil e dá ao país uma posição de protagonismo no mercado mundial de carne bovina. O conselho destaca que o conhecimento e trabalho dos profissionais da Medicina Veterinária e da Zootecnia fazem parte desse resultado, pois atuam pelo crescimento da pecuária, garantindo uma produção com rigorosos padrões de qualidade, focada na sanidade dos rebanhos, na segurança dos alimentos de origem animal e na sustentabilidade dos pastos.

Dia Nacional da Pecuária
Dia Nacional da Pecuária

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil tem 66% das terras conservadas e a tecnologia na área agropecuária tem permitido produzir cada vez mais usando uma área menor. Prova disso são os sistemas de integração, desenvolvidos pelo Mapa, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ampliar o reflorestamento e, ao mesmo tempo, promover a recuperação de pastagens degradadas. Agregam diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia. A integração, além de reduzir a abertura de novas áreas para fins agropecuários, diminui o uso de agroquímicos e o passivo ambiental.

Com esses sistemas, no período de 2010 a 2018, 32 milhões de hectares de pastagem (20% do total no Brasil) tiveram a qualidade melhorada, conforme dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás (UFG). Estima-se que quase um terço (dez milhões de hectares) foram pastos com altíssimo grau de degradação, que hoje estão recuperados. No mesmo período, também houve um crescimento de quase seis milhões de hectares de áreas com sistemas de produção integrada.

Para o  médico- veterinário Júlio Cesar Rocha Peres, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Rondônia (CRMV-RO) e da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), os grandes investimentos no setor, tanto econômicos quanto em apoio ao produtor, auxiliam no desenvolvimento do país, sendo responsáveis por boa parte da produção de carne, leite e derivados. “Só em 2019, a indústria frigorifica instalada no estado de Rondônia abateu mais de 2,7 milhões de cabeças e a agroindústria chegou a produzir mais de 700 milhões de litros de leite”, relata.

Responsável por um setor próspero economicamente, a pecuária emprega médicos-veterinários e zootecnistas nas mais diferentes áreas de cuidados com os rebanhos: da saúde dos animais, melhoramento genético e manejo reprodutivo até a inspeção em matadouros e frigoríficos. Também são os profissionais capacitados para lidar com o gerenciamento de resíduos e projetos de sustentabilidade ambiental, com foco na preservação e conservação das espécies.

O zootecnista Fabrício Estrela salienta que a pecuária é a única atividade do agronegócio que está presente em 100% dos municípios brasileiros, somando cerca de 215 milhões de animais em 170 milhões de hectares de pastagens.

“O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina mundial, com mais de 9 milhões de toneladas de carne, e o maior exportador do planeta, gerando mais de 7 milhões de empregos diretos e subprodutos para cerca de 50 segmentos industriais. Tivemos um aumento de produção entre 2000 e 2011 de 39% (e o restante planeta, 7%). Nas fazendas, o pecuarista investe em tecnologias produtivas, com lotação média das pastagens de 1,26 animal por hectare, enquanto a média mundial é 0,3 animal/ha”, afirma Estrela.

O aumento do uso de tecnologias e conhecimentos disponíveis diminuiu o uso de cerca de 10 milhões de hectares de pastagem nos últimos 30 anos, concedendo espaço para a agricultura e reduzindo a pressão sobre as áreas de floresta, sem haver queda na produção. Com a ajuda da pecuária, e não apesar dela, o Brasil mantém preservados 61% dos seus biomas originais de floresta. A média mundial é inferior a 25% e chegará o momento em que não haverá desmatamento, pois já há potencial para aumentar em três vezes a produção.

O zootecnista explica que, até 2050, é previsto que a população mundial chegue a 10 bilhões de habitantes e o consumo de carne bovina no planeta deve aumentar 58%, sendo o Brasil o país capaz de atender grande parte dessa demanda com qualidade, preços competitivos, produzindo de forma socialmente justa e ambientalmente responsável.

Fontes:

Júlio Cesar Rocha Peres, médico-veterinário, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária Rondônia (CRMV-RO) e da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron).

Fabrício Estrela, zootecnista especialista em Produção de Ruminantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e conselheiro efetivo do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás.

Assessoria de Comunicação do CFMV