Uma doença que atinge em grande escala a população humana é o diabetes – enfermidade ocasionada pelo aumento da taxa de açúcar (glicose) no sangue. Os cães e gatos também podem sofrer com a doença e quanto mais cedo for descoberta, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Em cães, é mais comum o aparecimento do diabetes entre os 4 e 14 anos de idade, com maior ocorrência entre os 7 e 9 anos. As fêmeas são cerca de duas vezes mais afetadas do que os machos. Algumas raças, como poodle miniatura, samoieda, pug, poodle toy e schnauzer miniatura têm maior predisposição à doença.

Sintomas

 Os principais sintomas da diabetes são o aumento da ingestão de água (polidipsia) e consequente aumento do volume de urina (poliúria), além do emagrecimento, mesmo com o aumento de apetite e da ingestão alimentar.

O diabetes em estado avançado nos cães tem como sinal o aparecimento da catarata. Já nos gatos, a lesão dos nervos em virtude da glicemia elevada (neuropatia diabética) pode ocasionar dificuldade e dor no andar do animal. A atenção do tutor aos primeiros sinais e a busca por ajuda médico-veterinária o quanto antes podem ajudar no tratamento.

Diabetes mellitus (DM)

O Diabetes Mellitus é o mais comum em cães e se caracteriza pela perda das células que produzem o hormônio responsável pela captação da glicose sanguínea, a insulina, que compõe parte do tratamento da maioria desses animais.

A médica-veterinária Viviani de Marco, presidente da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (Abev), explica que o diabetes é uma síndrome clínica caracterizada por deficiência de insulina relativa ou absoluta, de etiologia multifatorial, e que necessita de tratamento com insulina e dieta específica.

Segundo a médica-veterinária Flávia Tavares, membro da Comissão Científica da associação, a enfermidade é frequente em cães e gatos. “Estima-se que um a cada 100 cães que atingem 12 anos de idade desenvolverão a doença e, em gatos, a estimativa varia de 1:50 a 1:500 em diferentes países. Cadelas não castradas e gatos machos obesos são os mais atingidos”, afirma.

Causas

 Algumas doenças hormonais e alguns medicamentos (ex.: glicocorticoides) predispõem ao desenvolvimento da DM. A médica-veterinária Márcia Marques Jericó, sócia-fundadora e membro da Comissão Científica da Abev, detalha que são condições importantes de desencadeamento da DM e da resistência insulínica o uso crônico de glicocorticoides, o diestro em cães, a obesidade severa, especialmente em gatos, pancreatite crônica, hiperlipidemia e doenças endócrinas, como acromegalia e síndrome de Cushing, ou hiperadrenocorticismo. “Animais de difícil controle devem ser investigados no que tange à existência destas condições”, diz.

Tratamento

Os objetivos da terapia do animal diabético são essencialmente dois, orienta Márcia. “O primeiro é controlar a glicemia por meio de medidas terapêuticas, normalizando-a o máximo possível, de tal forma a resolver os sintomas clínicos e a prevenir as complicações metabólicas advindas da hiperglicemia cronicamente sustentada. O segundo é tornar esse controle o menos impactante possível no estilo de vida do tutor, pois impactos muito negativos na rotina do responsável pelos cuidados do cão ou gato diabético podem prejudicar a aderência ao tratamento”.

Márcia explica também que cães e gatos diabéticos necessitam, quase invariavelmente, de terapia insulínica e de modificações na dieta. O uso diário de insulina e consequente controle glicêmico são fundamentais para a manutenção da saúde do animal, especialmente em gatos, podendo levar à remissão da doença. “A dieta ideal deve promover a liberação lenta e continuada dos macronutrientes, ser restrita em gorduras e açúcares e com boa provisão proteica, vitamínica e mineral”, detalha Márcia.

Os objetivos do tratamento, segundo Viviani, incluem reduzir as manifestações clínicas, como poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, e obter um controle glicêmico satisfatório. “E, acima de tudo, garantir uma boa qualidade de vida não só do animal, mas também do tutor, sem exigir demais da forma de monitorização”, explica.

Importância do médico-veterinário no tratamento do diabetes

O tratamento do diabetes em cães e gatos necessita ser feito sob supervisão do médico-veterinário e deve levar em conta o manejo nutricional do animal. “O papel do médico-veterinário no controle do diabetes é fundamental, tanto na prevenção da doença quanto no correto manejo terapêutico. Cães e gatos diabéticos bem controlados podem ter ótimas qualidade e quantidade de vida”, afirma Flávia.

A melhor forma de prevenção, seja para o diabetes é manter o animal com uma dieta equilibrada, evitando alimentação contendo guloseimas (biscoitos, petiscos, restos de comida), que contribuem para o aumento de peso e, consequentemente, o diabetes.

Fontes:

Flávia Tavares, médica-veterinária, sócia-fundadora e membro da Comissão Científica da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (Abev)

Márcia Marques Jericó, médica-veterinária, mestre e doutora especialista em endocrinologia, sócia-fundadora e membro da Comissão Científica da Abev e sócia-proprietária dos Consultórios Veterinários Alto da Lapa

Viviani de Marco, médica-veterinária, mestre e doutora em endocrinologia, sócia-proprietária da clínica Naya Especialidades e presidente da Abev

Assessoria de Comunicação do CFMV