O consumo de pescado historicamente aumenta durante o feriado da Semana Santa, porém, durante todo o ano muitas pessoas consomem esse tipo de alimento. Assim sendo, para orientar sobre a aquisição e manuseio dos pescados a Comissão Regional de Saúde Pública Veterinária (CRSPV) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba (CRMV/PB), esclarece algumas dúvidas importantes na hora de adquiri-los.

Pescados em geral podem ser comercializados em muitos locais, todavia, vários cuidados devem ser seguidos pelos comerciantes para assegurar que o produto, disponível à venda, possui qualidade e inocuidade, isto é, que está livre de contaminantes, não colocando em risco a saúde de quem for consumir.

Uma das primeiras características a serem levadas em consideração pelo consumidor é o valor do produto. Porém, vale ressaltar que a qualidade deve vir antes de qualquer outro aspecto, pois se o pescado não estiver acondicionado de modo adequado e em local limpo, o barato vai sair muito caro.

Em termos de limpeza do estabelecimento que está comercializando o pescado, o consumidor deve observar o estado de higienização do piso, paredes, balcões, caixas isotérmicas, balança, dentre outros utensílios e objetos utilizados direta e indiretamente para manuseio do produto.

Além disso, a higienização da roupa dos funcionários do estabelecimento é bastante importante, pois mostra o nível de preocupação que se tem frente ao produto que se comercializa e à saúde dos consumidores. O cheiro do estabelecimento deve ser característico, mas não insuportável, a ponto de parecer que ali existem alimentos estragados.

Para que o produto seja exposto à venda de modo seguro, é preciso que o acondicionamento do pescado obedeça a alguns critérios como estar em balcão frigorífico em temperatura por volta de -2,0°C, protegidos do sol, sem contato com outros produtos e coberto por generosa camada de gelo.

Caso esteja à venda em feira livre, o mesmo deve seguir todas as recomendações anteriores, além de estar em caixas de isopor limpas. A comercialização do produto congelado, deve ser feito em temperatura de -18°C e, a água proveniente do descongelamento, deve ser drenada evitando o contato direto com o produto.

Caso o pescado seja comercializado embalado (produto processado pela indústria), o consumidor deve estar atento às seguintes informações:

– Registro no Serviço de Inspeção competente (municipal, estadual ou federal);

– Data de embalagem e validade do produto;

– Lote;

– Peso bruto e peso líquido.

É importante que esse tipo de produto, bem como qualquer outro congelado ou resfriado, seja escolhido ao final das compras, sob risco de perder a temperatura ideal e tornar-se impróprio para o consumo.

As características do pescado variam conforme o tipo:

– Pescado: devem estar com olhos brilhantes, escamas bem aderidas ao corpo, guelras de cor vermelha e úmidas. Além disso, a coloração do peixe não pode ser escura;

– Camarão: o cheiro é uma das principais características, pois ao perceber que existe odor de amônia, o produto deve ser evitado. É preciso também observar se a cabeça e a casca estão firmemente aderidas ao corpo e se a coloração não está escura. Quando este produto é comercializado já limpo (sem cabeça e sem casca) a constatação do seu frescor pode ser comprometida.

– Peixes secos/desidratados: a presença de manchas amareladas, esverdeadas ou de outra coloração diferente da que seja própria do produto, caracteriza que o mesmo está alterado e impróprio para o consumo, por conter, dentre outras coisas, agentes bacterianos deteriorantes. Um dos mais conhecidos é o bacalhau que, inclusive, tem maior custo devido à sua origem. É importante que peixes secos sejam mantidos longe da umidade até o momento do preparo.

– Moluscos (ostras, mexilhões, etc.): devem estar com as conchas fechadas, as quais se abrem somente após o cozimento. Aquelas que permanecerem fechadas mesmo após o preparo, não devem ser consumidas. Polvos e lulas devem se apresentar com a pele nitidamente aderida ao corpo e com coloração padrão roxo clara.

Atenção:

Peixes frescos adquiridos inteiros devem ter suas vísceras removidas imediatamente e ser lavados em água limpa corrente antes de serem congelados.

Durante o manuseio e preparo de alimentos a higiene é essencial. Lave sempre as mãos, utensílios e bancadas para evitar a contaminação.

Jamais compartilhe utensílios para alimentos crus e cozidos simultaneamente.

Sobrou peixe do almoço? Evite o desperdício! Guarde-o em recipientes fechados e acondicione no freezer ou congelador.

Méd. Vet. Andreey Teles
Presidente da Comissão