A raiva é uma enfermidade viral que atinge o sistema nervoso central de mamíferos. É transmitida pela inoculação do vírus da raiva, contido na saliva de animais infectados. Trata-se de uma antropozoonose de evolução aguda, que pode causar óbito em praticamente 100% dos casos. Embora medidas de prevenção e controle dessa enfermidade tenham sido estabelecidas há décadas, a raiva ainda representa um sério problema de saúde pública.

Dados da OMS de 2019 comprovam que a raiva possui extrema importância para a saúde pública, devido ao seu potencial de letalidade, já que não há cura. No mundo, cerca de 60 mil pessoas morrem a cada ano por essa doença, principalmente na Ásia e na África.

Todavia, vale ressaltar que os países da América Latina e do Caribe estão bem mais perto de conquistar a eliminação das mortes humanas causadas pela raiva canina, já que houve uma redução drástica nos casos da doença, evoluindo de 300 casos em 1983 a somente três casos em 2019 (PANAFTOSA/OPAS/OMS, 2020).

Desde quando foram iniciadas as ações regionais contra a raiva, os países da região das Américas reduziram os novos casos da doença em humanos em mais de 95% e em 98% nos cães. A única forma de bloquear a transmissão dessa enfermidade é por meio da vacinação de, pelo menos, 80% da população canina em áreas endêmicas.

A doença em questão pode ser eliminada em seu ciclo urbano – onde é transmitida por cães e gatos – por meio de medidas eficazes de prevenção, como a vacinação de animais, a disponibilidade de soro antirrábico humano e vacina pós-exposição à raiva, e ações de bloqueio de foco, entre outras.

Fato este reforçado pelo coordenador de zoonoses da PANAFTOSA, Júlio Cesar Pompei, ao afirmar que o avanço na redução do número de casos se deve ao compromisso das autoridades sanitárias dos países, à dedicação técnica dos agentes de saúde, à conscientização da população e à coordenação do Programa Regional de Eliminação da OPAS/OMS.

O Programa Nacional de Profilaxia para a Raiva Humana foi estabelecido no Brasil na década de 70, objetivando reduzir o número de casos em humanos por meio do controle dessa zoonose em animais domésticos e por ações de profilaxia em pessoas agredidas ou que tiveram possível contato com animais portadores da doença.

No estado da Paraíba, as campanhas de vacinação antirrábica são realizadas desde o ano de 1982. Dados mostram que o percentual de animais vacinados anualmente girava em torno de 80,0%, entendendo que a recomendação do Ministério da Saúde é que as campanhas atinjam o mínimo de 80% para serem consideradas efetivas quanto ao controle e eliminação do vírus da raiva no ciclo urbano, onde cães e gatos são as principais fontes de infecção.

O Coordenador do Núcleo de Zoonoses da Secretaria de Estado da Saúde, o médico-veterinário Francisco de Assis Azevedo, orientou às equipes que fizessem a vacinação casa a casa, como também em postos volantes, com profissionais nos bairros, para realizar a vacinação de cães e gatos, executando uma verdadeira busca ativa dos animais domésticos.

Por medidas de segurança contra a Covid-19, ações relacionadas ao Dia D contra a raiva foram suspensas, para evitar aglomeração. A campanha desse ano contou também com um prazo mais estendido (21 de setembro a 15 de novembro). Esses mecanismos estratégicos a tornaram um sucesso com recorde histórico de vacinação, atingindo 95,3% dos animais (504.311 cães e 195.616 felinos).

Vale destacar que a população estimada de cachorros e gatos no estado é de 727.879 animais. O resultado positivo da referida campanha, que ultrapassou em mais de 15% a meta prevista pelo Ministério da Saúde, se deve às medidas de orientação adotadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) em virtude do período de pandemia que, além de evitar a infecção dos tutores com o novo coronavírus, ampliou o acesso à vacina antirrábica.

Quem não tiver vacinado seu animal doméstico durante a campanha, pode procurar o Centro de Controle de Zoonoses de João Pessoa e Campina Grande. Os residentes de outros municípios podem procurar a respectiva Secretaria Municipal de Saúde para a vacinação.

Comissão Regional de Saúde Pública Veterinária do CRMV-PB