A abelhas, principalmente produtoras de mel – Apis melliferas e silvestres – são os principais agentes polinizadores, fazendo parte dos mecanismos complexos na manutenção e promoção da biodiversidade. Sem as abelhas, o ciclo da polinização se quebra, gerando escassez de alimentos, pois, cerca de 85% das plantas com flores do planeta, dependem da polinização feita por estes insetos.

Esse e outros importantes assuntos da área foram debatidos durante o Congresso Internacional de Apicultura, o 45°th Apimondia, que reuniu mais de 3 mil congressistas de 145 países distintos. O evento ocorreu entre os dias 29 de setembro a 04 de outubro, na cidade de Istambul, Turquia. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) foi representado pelo integrante da sua Comissão Nacional de Especialidades Emergentes (CNEE), o médico veterinário Walter Miguel.

No congresso, os participantes eram do meio científico, indústria e comércio. O evento abordou temas voltados para a manutenção da sustentabilidade, avanços científicos, novos caminhos, principais dificuldades e sugestões de mitigação dos entraves e problemas do setor de Apicultura.

Miguel explica que o evento proporcionou aos congressistas um leque de informações e uma visão ampla do cenário apícola mundial. “O decréscimo dos agentes polinizadores e suas consequências parece não incomodar ou preocupar os setores direta ou indiretamente responsáveis pelo desaparecimento das abelhas, erradicando espécies e incapazes de aplicar ações voltadas à sua manutenção e desenvolvimento ou, como hoje massivamente acontece, são os responsáveis pelo uso indiscriminado de pesticidas” discorre.

Miguel alerta que o assunto não desperta interesse dos profissionais médicos veterinários. “A começar no estudo enquanto acadêmico, pois, a disciplina Apicultura, na grande maioria das vezes na matriz curricular das Instituições de Ensino Superior, é disponibilizada de forma eletiva (optativa) ”. Além disso, relata o integrante da CNEE, “comparando com outros setores, a Apicultura oferece ao profissional uma remuneração não muito atraente aliado ao receio no trabalho com as abelhas e os possíveis riscos que a atividade pode trazer”.

Durante o evento, a CNEE trocou ideias e informações com profissionais estrangeiros. A Comissão constatou que a disciplina Apicultura, na maioria das instituições de ensino em diversos países, é oferecida de forma optativa nos cursos; os médicos veterinários espalhados no mundo enxergam a Apicultura como uma atividade de baixa remuneração e pouco interesse; e, em muitas nações, os estabelecimentos de produtos das abelhas e derivados não exigem o profissional médico veterinário para atuar como responsável técnico.

“Apesar de todas essas questões inquietantes, felizmente, em alguns países, a preocupação com diminuição das abelhas e o reflexo disso na produção de alimentos já toma conta do meio científico, com apoio a pesquisas, elaboração de legislação contra uso de certos pesticidas” diz Miguel. “Mas o Brasil, engatinha nesses aspectos, bem como ao incentivo financeiro e pesquisa para o setor”, finaliza.

Ao final, o comitê técnico- científico da 45°th Apimondia formulou uma declaração às autoridades a respeito do cenário da saúde das abelhas, decréscimo dos polinizadores, as causas determinantes e possíveis soluções para esse contexto. O texto do documento também relata as implicações na produção agropecuária e na disponibilidade de alimentos para o ser humano.

Fonte CFMV (acesso em 19/10/17)