O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) enviou um ofício ao Ministério da Agricultura (Mapa) nesta quinta-feira (06/04) alertando o Departamento de Saúde Animal (DSA) sobre uma irregularidade na importação da chimpanzé Cecília, trazida ao país na quarta-feira a partir do zoológico de Mendoza, na Argentina. De acordo com um comunicado assinado pelo Colégio de Médicos Veterinários da Província de Mendoza, o atestado de sanidade do animal, necessário para a transferência, teria sido produzido por um médico humano, e não por um médico veterinário.

A chimpanzé ganhou fama como o primeiro primata do mundo que usou um habeas corpus para conseguir sua libertação de um zoológico, e foi abrigada por um santuário animal em Sorocaba (SP). Segundo o Colégio de Médicos Veterinários da Província de Mendoza, Argentina, um médico do Programa Provincial de Controle de Tuberculose produziu e apresentou o documento de certificação sanitária que atestou que o animal não sofre da doença, estando assim apto para ser exportado para o Brasil.

Na nota divulgada à imprensa, os veterinários argentinos ressaltam que o médico que examinou e atestou a chimpanzé “certificou que o animal não padece da enfermidade, desconhecendo as incumbências que se atém a cada profissão, cometendo por parte do profissional atuante uma falta de ética, já que sua formação não permite a certificação sanitária de um animal, voltando a desconhecer por parte das autoridades as funções dos veterinários”.

A entidade ressalta que não foi consultada durante o processo de traslado do animal, e que os médicos veterinários que trabalham no Zoológico Provincial, de onde partiu a chimpanzé, também não participaram dos preparativos para a viagem.

Atualmente, a chimpanzé passa por uma quarentena antes de ser integrada aos outros animais do santuário. No local, convivem também outros tipos de macacos, aves, leões e ursos.

Fonte CFMV (matéria acessada em 07/04/17)