No Dia Nacional da Abelhas, celebrado em 3 de outubro, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) lembra da importância delas no ecossistema. Seu papel vai muito mais do que a produção de mel. A abelha é responsável, de forma direta ou indireta, pela polinização de, aproximadamente, 70% das espécies cultivadas para produção de alimentos no mundo. O serviço de polinização gera recursos e promove o aumento na produção e na qualidade de diversos produtos agrícolas.

O Brasil ocupa o 11° lugar no ranking de maiores produtores de mel no mundo em toneladas (41.594 ton/ano). Os médicos-veterinários e zootecnistas são atores importantes nesse cenário, onde, atuando em conjunto, garantem a produtividade, qualidade e inocuidade dos produtos das abelhas e a sanidade das colmeias.

Auditora Fiscal Federal Agropecuária/MAPA e Coordenadora Nacional do Programa Nacional de Sanidade das Abelhas (PNSAb) Luciana Guirelli Ábrego explica que tanto a apicultura quanto a meliponicultura são atividades fortemente relacionadas ao desenvolvimento econômico e social sustentáveis, além de disponibilizar produtos de alto valor energético e nutritivo. Ela afirma que o Brasil possui um grande potencial para a produção de abelhas devido à vastidão de seu território e a presença de biomas altamente preservados, com flora diversificada, permitindo a obtenção abundante de méis e outros produtos das abelhas de especial e reconhecida qualidade. “O Brasil ganhou o prêmio de melhor mel do mundo por vezes consecutivas em evento organizado pela Federação Internacional de Associações de Apicultores (APIMONDIA)”, ressalta a médica-veterinária.

Luciana considera que, com a crescente demanda por alimentos no mundo e o Brasil sendo um dos protagonistas desse cenário, a busca por maior produção, especialmente aumentando a produtividade por área, torna-se prioridade. “A presença de abelhas no cenário agrícola está associada a uma produção mais responsável e seu valor na agricultura foi estimado por pesquisadores em cerca de 43 bilhões de reais”, afirma.

Mas Luciana alerta que o declínio de populações de abelhas silvestres e o colapso de colônias de Apis mellifera vêm preocupando os pesquisadores, apicultores e meliponicultores em todo o mundo. “Fatores como ocorrência de patógenos e parasitas e manejo inadequado das culturas e habitats têm sido apontados como importantes causas”, esclarece.
Além disso, afirma a auditora, sem esses insetos e outros polinizadores, não seria possível produzir maçãs, amêndoas, tomates nem cacau (Confira no: Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil).

Sanidade

A sanidade das abelhas é fundamental tanto para a produção de mel e demais produtos das abelhas como para a segurança alimentar. A compreensão, supervisão e difusão do conhecimento sobre o manejo adequado das colmeias de modo a evitar pragas, doenças e contaminantes, deve fazer parte das políticas públicas para desenvolvimento do setor agropecuário.

Em 2008, foi criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAp), instituído pela Instrução Normativa n° 16, de 8/5/2008. O objetivo do programa é fortalecer a cadeia produtiva das abelhas, através de ações de vigilância e defesa sanitária animal, de modo a prevenir, controlar ou erradicar doenças, fomentando a importância da sanidade para garantir o sucesso da cadeia produtiva da Apicultura e da Meliponicultura no Brasil.

“Além do Mapa, outras instituições desenvolvem projetos importantes relacionados a sanidade, boas práticas apícolas, manejo integrado de polinizadores, biofábricas, desenvolvimento de aplicativos para o setor, controle biológico de pragas, entre outras pesquisas essenciais para a tecnificação da cadeia produtiva apícola e meliponícola, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA e o Instituto Biológico de São Paulo (IB-APTA)”, pontua.

Curiosidade

O mundo dos polinizadores, em especial das abelhas, é muito fascinante, com constantes descobertas para os amantes da área. Uma pergunta que por vezes escutamos é “se toda abelha produz mel e se existem diversos tipos de mel”. Para quem ficou curioso, segue a resposta da Dra. Érica Weinstein Teixeira do IB-APTA: “A maioria sim, porém em diferentes quantidades dependendo da espécie e da região (lembrando aqui que é necessário ter fluxo de néctar na natureza para produzir mel). Sim, os méis diferem em composição e características sensoriais (organolépticas), tanto entre grupos de abelhas (melíferas ou abelhas sem ferrão, por exemplo), como dentro da mesma espécie dependendo do local de forrageamento, ou seja, onde e em que fontes de néctar as abelhas buscaram recurso (néctar). As condições de solo, clima etc. também influenciam na composição do mel, visto que é um alimento dito “vivo”, em constante transformação”.

Fonte: Luciana Guirelli Ábrego, Auditora Fiscal Federal Agropecuária/MAPA e Coordenadora Nacional do Programa Nacional de Sanidade das Abelhas (PNSAb).

Assessoria de Comunicação do CFMV