Assim como pessoas, animais também podem se beneficiar da doação de sangue. No entanto, a falta de informações ainda é o maior fator que afasta os doadores e prejudica a coleta do material. No Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue, celebrado em 25 de novembro, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) lembra da importância da doação de sangue animal e explica como essa prática funciona.

A transfusão de sangue, também chamada hemoterapia, é indicada para pacientes em diferentes condições de saúde, como anemia, hemorragia, coagulopatia e hipoproteinemia. Para atendimento aos hospitais veterinários, existem bancos de sangue canino que fazem coletas em animais saudáveis para disponibilidade no caso de emergências médico-veterinárias.

Um exemplo é o Laboratório Clínico Veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP). A equipe oferece o serviço de coleta em casa, com agendamento, participa de feiras e promove mutirões ou campanhas específicas para alavancar o número de doações.

Criado em 2009, o banco de sangue consegue, em média, coletar 25 bolsas ao mês. “É um volume que está abaixo das nossas necessidades, mas que é crescente devido à maior divulgação da existência do banco de sangue”, afirmou em entrevista à Revista CFMV a médica veterinária Regina Takahira, do Departamento de Clínica Veterinária da Unesp.

A coleta dura cerca de 10 minutos e são colhidos, em média, 450 mL por animal. A saúde e o bem-estar do doador são preservados durante o processo, de forma que o animal não se machuque ou sinta dor, nem tenha a saúde prejudicada.

O produto final da coleta pode ser fracionado em diversos componentes sanguíneos, além do sangue fresco: concentrado de eritrócitos (CE), plasma fresco congelado (PFC), plasma congelado (PC), plasma crioprecipitado, plasma criopobre e concentrado de plaquetas (CP).

Perfil dos doadores

Um dos primeiros fatores a ser considerado para a coleta de sangue é a escolha do doador. Os cuidados na escolha dos cães são de crucial importância para a segurança dos próprios doadores, bem como dos animais que serão transfundidos. No entanto, a prática da doação de sangue em cães não é amplamente difundida e os bancos carecem de material para transplantes.

Para ser doador, o cão precisa estar com o calendário de vacinação em ordem, ter no mínimo 25 kg e idade entre um e oito anos. Ele passa por exames clínicos e colheita de exames laboratoriais para atestar a sanidade. Também é verificado se o animal tem perfil doador, ou seja, se é calmo e tranquilo, para que a coleta traga o menor trauma possível.

O tempo mínimo recomendado entre doações para um mesmo animal é de dois meses. Mas pesquisas já mostram que em casos de emergência um cão pode sofrer doações em intervalos de 15 dias sem danos à sua saúde. Também há a possibilidade de acelerar a recuperação dos animais por meio da suplementação de vitaminas e minerais.

Saiba mais:

Leia aqui a reportagem sobre a doação de sangue animal publicada na Revista CFMV nº 67

Conheça mais sobre o banco de sangue da Unesp Botucatu

Com informações da Revista CFMV

Fonte CFMV (matéria acessada em 25/11/16)