Percepção, sensibilidade, versatilidade e afetividade são características encontradas em profissionais do sexo feminino, e as instituições e empresas já se alertaram para isso.

Homenageadas mundialmente neste 8 de março, as mulheres ocupam cada vez mais funções executadas somente por homens no passado. Esse processo de inserção feminina no mercado se intensificou nas últimas décadas, e não é diferente na Medicina Veterinária e na Zootecnia.

Desde a década de 1970, o número de mulheres na Medicina Veterinária aumenta progressivamente no Brasil e no mundo. Hoje, são 111.086 médicos veterinários atuantes no Sistema Conselho Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs). Desses, 57.270 são homens (51,55%) e 53.816 são mulheres (48,45%).

Até a metade do século 20, havia predomínio absoluto de estudantes do sexo masculino. De 1.122 médicos veterinários diplomados até 1952 no país, apenas 14 (1,2%) eram do sexo feminino. Já em 2000, as mulheres ultrapassaram os homens em número de inscrições primárias no Sistema CFMV/CRMVs, somando mais de 50% dos novos inscritos.

O Rio de Janeiro, atualmente, é o estado com o maior número proporcional de mulheres médicas veterinárias: 5.830 – o equivalente a quase 60% de todos os profissionais do estado. Já o Acre é o estado com o menor número proporcional de mulheres médicas veterinárias – elas representam 28,63% das profissionais do estado.

As mulheres têm assumido funções nos diferentes campos da Medicina Veterinária, inclusive na área de animais selvagens, que exige práticas normalmente associadas à imagem masculina, como o arremesso de dardos anestésicos, a lida com feras, o manejo de grandes carnívoros e animais peçonhentos.

Na Zootecnia, a evolução também é percebível. As mulheres estão se capacitando para assumir não apenas as funções técnicas, mas também para assumir cargos de comando e liderança, antes predominantemente masculinos.

O presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Benedito Fortes de Arruda, destaca que foram inúmeras as dificuldades e os obstáculos ultrapassados, principalmente por aquelas que foram pioneiras.

“A participação da mulher sempre foi importante no desenvolvimento da sociedade. Na Medicina Veterinária e Zootecnia não é diferente. Elas estão conquistando cada vez mais espaço e os números mostram um avanço significativo da participação feminina nas universidades e no mercado de trabalho. Seja qual for a área de atuação, as médicas veterinárias e zootecnistas sempre terão um destaque especial”, afirma o presidente do CFMV.

Neste 08 de março, Dia Internacional da Mulher, o Conselho Federal de Medicina Veterinária parabeniza todas as mulheres, em especial as médicas veterinárias e zootecnistas. O CFMV reconhece o esforço das profissionais para se destacarem no mercado e para aliar a profissão com as atividades relacionadas à família e ao lar.

Parabéns médicas veterinárias e zootecnistas pelo o cuidado, atenção e dedicação na conquista do bem-estar animal e da Saúde Única. Parabéns por contribuir por um mundo melhor!

Um pouco da História

A participação da mulher na Medicina Veterinária começou de maneira muito tímida, tanto no mundo quanto no Brasil. Para se ter ideia, em 1975, na França, as mulheres representavam pouco mais de 5% dos médicos veterinários, enquanto em outras profissões tinham uma representatividade bem mais expressiva: 52% dos farmacêuticos, 30% dos odontólogos, 27% dos médicos. No Brasil, não era diferente. Algumas profissões, entre elas a Medicina Veterinária, ainda não eram consideradas uma opção de carreira para mulheres, que encontravam mais oportunidades como enfermeiras, professoras, comerciárias e algum espaço na indústria e na agricultura. Até os anos 1980, a participação da mulher no Sistema CFMV/CRMVs era inferior a 20%.

No Brasil, a primeira médica veterinária foi Nair Eugênia Lobo, que recebeu o diploma em 1929, pela antiga Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Rio de Janeiro.

Outra médica veterinária que merece destaque pelos trabalhos realizados no Brasil é Virginie Buff D’Apice, que, entre inúmeras obras de importância para a Medicina Veterinária, criou o primeiro projeto do Código de Deontologia e Ética Profissional, apresentado durante o V Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, em São Paulo, em 1950.

Na Zootecnia, a primeira inscrita no Sistema CFMV/CRMVs no Brasil foi Laurene Liesenfeld, em setembro de 1973, no Rio Grande do Sul. Na década de 1970, as mulheres representavam 14% dos inscritos em Zootecnia; na década de 1980, 22%, passando para 30% na década de 1990 e para 37% na primeira década do século XXI. O percentual de zootecnista é semelhante em todas as regiões, de Norte a Sul do Brasil.

Fonte CFMV (matéria acessada em 08/03/17)